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Mostrando postagens de 2017

Liberdade

Me apaixonei! Três vezes por ela essa noite. A primeira vez que a vi A segunda ao ouvi-la E a terceira ao vê-la partir. Assim, partir. Ir. Ir também pode ser, sempre, voltar. E voltar, pode ser sempre, partir de novo.

Pós-cirúrgico

Sentada numa cadeira branca de um quarto do hospital do câncer, toda torta. Que ao observar não se sabe quem esta mais torta, a cadeira ou ela. Encostada na parede logo abaixo da janela metálica, vidros e grades se atenta aos sons do quarto e um pouco dos de fora. Uma melodia dessas desafinadas ou afinadas da vida. No corredor, vozes, passos,  plásticos, vassouras no chão,  rodas dos carrinhos de auxílio, coisas pequenas caindo, portas abrindo e fechando, risos... Chove lá fora, uma chuva que cai meio forte, meio fraca. Na janela ouve se um pingo descompassado no metal, tum, tum, chuva, tum. Nas camas tocam roncos. Sim, são três,  cada um no seu ritmo e tom. Parecem tentar acompanhar um ao outro, ou se complementarem na melodia do sono profundo pós-cirúrgicos. Um sono de alívio nessa jornada contra os cânceres. As outras duas acompanhantes, dormem como podem, nas cadeiras de plástico branco torto, sem roncos. Só o som do se ajeitar sem fazer tanto barulho, pra não int...

Recreio

Do latim, recreatio. O tempo de refrescar, de se divertir. Ela, inteligente que só, me fez relembrar que recreio é sobre o prazer! Aquele prazer de se sentir livre das obrigações do dia-a-dia. É sobre o prazer de criar algo novo pra si. É desfrutar do tempo com outra pessoa É também sobre poder ouvir, falar e silenciar. Mas também é sobre tentar algum passo de dança ou ver ela ameaçando se pendurar no viaduto,. e pular aquela mureta junto E gostar tanto da companhia que na despedida, diz até o próximo recreio. E creio, mesmo sem recreio nas sexta combinar mais recreios...

faz parte de mim

Sonhei com uma delas noite passada.  Ontem antes de dormi, até sorri lembrando da ultima.  Horas antes havia sentido "flores no estomago" lá estava eu, me apaixonando outra vez... Vira e mexe suspiro lembrando da primeira.  Aquela que ainda não decidi qual é o melhor final.  Tenho tantas paixões comigo Que as vezes acho estranho escrever sobre então pouco escrevo.  mas lembro e revivo sempre.  lembrar de quem já amei e de quem ainda amo ou de quem já me apaixonei ou ainda estou apaixonada  me faz bem. 

O desconforto no silêncio.

“Ei” , Shiu”, Quietinha”, Não fala nada”, “... algumas das frases que ouvia no antes, durante e depois de muitos dos abusos que sofri na infância. E os traumas disso ainda to descobrindo, ou melhor, reconhecendo e nomeando meus medos e desconfortos. Essa semana entendi mais um trauma, mais uma consequência dos abusos sexuais e psicológicos. Falamos poucos sobre os traumas e como eles afetam as vidas das vítimas, acredito que por ser tão difícil reconhecer e pontuar o que são atitudes/ações/sensações que refletem traumas nas nossas relações humanas pós abuso. O que causa aquela lembrança ruim. É o tal do gatilho que falam por aí. Aquilo que te faz recordar de uma sensação antes, durante ou que teve depois de uma violência. É individual, e, acontece com toda vítima. Por anos tirar a roupa antes de tomar banho, pra mim às vezes, era/é um imenso sacrifício de sentimentos ruins que prefiro nem tomar banho. Hoje em dia já não fico mais 7/15 dias sem conseguir tomar banho. Não sei explic...

Cardápio de Vitimas

No quarto roupas e sapatos espalhados pelo chão, uma cama dura com um lençol cor palha amarrotado pelos movimentos dos dois. O lençol já estava suado dos movimentos da noite passada, um detalhe que ele nem vai saber e ela realmente não liga. Um cobertor preto caindo nos pés da cama. Ela e ele nus. Ele ainda ofegante enquanto se ajeita na cama e ao mesmo tempo ajeita o travesseiro na cabeça, se esparrama na cama satisfeito. E ela, bem ela puxou o travesseiro pra parede e sentou na cama se encostando nele com uma expressão daquelas sabe "mais uma foda ruim". Acendeu um cigarro, tragou e sem tirar a mão de perto da boca, segurando o cigarro com dois dedos costumeiros de qualquer fumante, acaricia sua própria boca com os três dedos restantes e lembrou a si mesma que ela é capaz sim de sentir prazer. Ele deitado com um braço atrás da cabeça, olha pra ela é diz: _ Você não tem medo não? _ Do que? _ De deixar um homem estranho como eu, entrar na sua casa assim... Se conhecera...