Sentada numa cadeira branca de um quarto do hospital do câncer, toda torta. Que ao observar não se sabe quem esta mais torta, a cadeira ou ela. Encostada na parede logo abaixo da janela metálica, vidros e grades se atenta aos sons do quarto e um pouco dos de fora. Uma melodia dessas desafinadas ou afinadas da vida. No corredor, vozes, passos, plásticos, vassouras no chão, rodas dos carrinhos de auxílio, coisas pequenas caindo, portas abrindo e fechando, risos... Chove lá fora, uma chuva que cai meio forte, meio fraca. Na janela ouve se um pingo descompassado no metal, tum, tum, chuva, tum. Nas camas tocam roncos. Sim, são três, cada um no seu ritmo e tom. Parecem tentar acompanhar um ao outro, ou se complementarem na melodia do sono profundo pós-cirúrgicos. Um sono de alívio nessa jornada contra os cânceres. As outras duas acompanhantes, dormem como podem, nas cadeiras de plástico branco torto, sem roncos. Só o som do se ajeitar sem fazer tanto barulho, pra não int...