“Ei”, Shiu”, Quietinha”, Não fala nada”, “... algumas das frases que ouvia no antes, durante e depois de muitos dos abusos que sofri na infância. E os traumas disso ainda to descobrindo, ou melhor, reconhecendo e nomeando meus medos e desconfortos. Essa semana entendi mais um trauma, mais uma consequência dos abusos sexuais e psicológicos.
Falamos poucos sobre os traumas e como eles afetam as vidas das vítimas, acredito que por ser tão difícil reconhecer e pontuar o que são atitudes/ações/sensações que refletem traumas nas nossas relações humanas pós abuso. O que causa aquela lembrança ruim. É o tal do gatilho que falam por aí. Aquilo que te faz recordar de uma sensação antes, durante ou que teve depois de uma violência. É individual, e, acontece com toda vítima.
Por anos tirar a roupa antes de tomar banho, pra mim às vezes, era/é um imenso sacrifício de sentimentos ruins que prefiro nem tomar banho. Hoje em dia já não fico mais 7/15 dias sem conseguir tomar banho. Não sei explicar, mas é/era um sentimento de medo e desprezo tão grande pelo meu corpo que tirar a roupa para tomar banho se tornava um ato impossível de viver. Entendi na análise. Na verdade lembrei o último estupro dentro de casa, foi no banheiro, logo depois que eu tomei banho e abri a porta pra sair. No dia seguinte não consegui tomar banho, chorei, entrei no banheiro e saí com a mesma roupa. E assim foi no dia seguinte, e na semana seguinte e por anos. Até eu não entender mais porque fazia aquilo. Banhos eram uma tortura física e psicológica muito grande. Que bom que entendi na análise e hoje em dia até gosto de tomar banho. Mas tem dias que ainda é difícil, tô superando.
Por anos tirar a roupa antes de tomar banho, pra mim às vezes, era/é um imenso sacrifício de sentimentos ruins que prefiro nem tomar banho. Hoje em dia já não fico mais 7/15 dias sem conseguir tomar banho. Não sei explicar, mas é/era um sentimento de medo e desprezo tão grande pelo meu corpo que tirar a roupa para tomar banho se tornava um ato impossível de viver. Entendi na análise. Na verdade lembrei o último estupro dentro de casa, foi no banheiro, logo depois que eu tomei banho e abri a porta pra sair. No dia seguinte não consegui tomar banho, chorei, entrei no banheiro e saí com a mesma roupa. E assim foi no dia seguinte, e na semana seguinte e por anos. Até eu não entender mais porque fazia aquilo. Banhos eram uma tortura física e psicológica muito grande. Que bom que entendi na análise e hoje em dia até gosto de tomar banho. Mas tem dias que ainda é difícil, tô superando.
Lutar contra um trauma quando você identifica ele é tipo missão diária, tem dias que a gente vence…
Sempre gostei muito de ler, estudar, escrever… mas nem sempre foi fácil. Tem dias que é penoso ficar no silêncio por mais de uma hora. Bate o medo, a insegurança, um sentimento de vigilância, de que tem alguém me olhando, me observando e que vai a qualquer instante entrar e pronto… Era quando o silêncio reinava na minha casa de infância que eu sofria. Era muitas vezes quando me retirava para estudar que os abusos aconteciam. Quando tentava me concentrar, me desconcentraram e me causavam dor.
Acabei aprendendo na marra a ler com barulho, com conversas, com música alta, com carros passando, com muita gente por perto. Leio cada frase quantas vezes forem necessário até os sons em volta desaparecerem. Mas nem sempre dá, nem sempre dá para escrever no barulho. Às vezes a concentração que preciso depende do silêncio e não consigo ficar no silêncio muito tempo. Minha mente ultimamente tem me levado pro medo a todo instante que tento ficar em silêncio e é exaustivo.
Acabei aprendendo na marra a ler com barulho, com conversas, com música alta, com carros passando, com muita gente por perto. Leio cada frase quantas vezes forem necessário até os sons em volta desaparecerem. Mas nem sempre dá, nem sempre dá para escrever no barulho. Às vezes a concentração que preciso depende do silêncio e não consigo ficar no silêncio muito tempo. Minha mente ultimamente tem me levado pro medo a todo instante que tento ficar em silêncio e é exaustivo.
Estudar exige um tempo grande de concentração e só agora fazendo o TCC, ou melhor, tentando sobreviver ao TCC que consegui entender o meu desconforto todo que sinto quando tenho que ficar em silêncio. Quando o trabalho mental exige o silêncio e não consigo ficar porque o medo me enche o peito me sinto incapaz de estudar, frustrada, mas vou de hora em hora, minuto a minuto, tentando.
Ainda não sei como vou conseguir superar esse medo do silêncio. Se preciso de sugestões ou de psicanálise mesmo. No mais, vamos falar sobre nosso traumas. Porque compreender e apontar eles ajuda a melhorar nossa vida.
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