Das conversas mais bizarras que tenho com meus amiges LGBT's, conversar sobre PRECONCEITO, sem duvida ganha.
Digo bizarra, porque essas conversas refletem nossa realidade, uma realidade que não precisaríamos ter/viver se pessoas não fossem toscas.
Dividimos nossas dores e nos fortalecemos, é importante essas conversas, mas fico por demais tristes quando nos olhamos após por exemplo ter falado do preconceito dentro da família e sabemos que estamos sentindo a mesma coisa - TRISTEZA, porque sabemos que não precisaríamos ouvir tanta bosta de familiares se eles não fossem toscos como o resto da sociedade.
É como se o mundo falasse constantemente "Você não pode ser feliz assim" e a gente tem que se juntar pra dizermos uns aos outros "Não acreditem neles, você pode ser feliz do jeito que é sim. PODE e DEVE".
Durante minha "fase" hétero, não lembro um dia sequer, ter me encontrado conversando sobre como é difícil ser hétero, ou tentando rir do preconceito da sociedade sobre esta sexualidade, porque simplesmente isto não existe.
Fico pensando se esta gente que fica bostejando "HETEROFOBIA", tem conversas do tipo "Meu pai me chamou de lixo humano hoje por ser hétero" ou "Minha mãe me despreza" ou até "Tem como eu dormir na sua casa hoje? Meus pais me expulsaram de casa porque descobriram que sou hétero"
A nossa realidade é de resistência e de medo, constante medo de sofrer preconceito e não poder falar "Você não pode agir assim comigo".
Sai do armário com 24 anos e sai metendo os dois pés na porta, não aceito que tentem me colocar lá de volta. Reconheço que minha situação me permitia/permite fazer isto.
Trabalho e ganho o suficiente para me sustentar sozinha, divido casa com amigos os quais considero meus verdadeiros irmãos e por vezes falo "Esta é minha família" a família que não me rejeita e não me rejeitaria, nem eu a eles.
Minha situação por exemplo não fez me preocupar tanto em uma coisa que pode parecer tão pequena para héteros, como alterar status desse site faces aqui para namorando.
Contei para meus pais por telefone "Sou bi, estou namorando uma mulher" acredito que só umas 3 semanas depois de ter mudado o status do face. Tinha parentes no meu face e sei que foi um "choque" para muitos. Mas eu realmente não me importava com o que iram pensar, porque já estava decidida a me afastar daqueles que cresci e aprendi a amar só para não sofrer preconceito vindo deles também. De fato me afastei.
Me entristece saber que nossa visão sobre outras pessoas muda. Fica uma tensão no ar muito ruim.
Aquele familiar que sempre disse "Gays são abominação" agora nem te olha mais no rosto e vive entristecido por você não aceitar mais viver dentro de um armário fétido.
Aparece também aquele familiar do nada dizendo "Também sou LGBT, me ajuda?" e você fica feliz de saber que pode fazer isto. Ou que por você ser militante e ter chocado tanto a família já, vai ser mais fácil o processo para estes.
Concluo que é bizarro, simplesmente Bizarro essa nossa educação héteronormativa, machista, hipócrita e empacada.
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