É uma loucura olhar pra trás e não me reconhecer, não me encontrar no passado.
Era eu, pequenininha só de calcinha na xácara da tia. Tímida e acoada, por estar só de calcinha em um dia de festa de aniversário na xácara. Não sabia. "Como assim ela está só de calcinha?"
Era eu, criança (diziam pré adolescente) e temente a Deus com medo de confessar meus pecados aquele homem conhecido, mas estranho, o padre. Que pecados uma criança cometia?
Era eu, adolescente e temente a Deus suspirando pelos corredores do convento, por aquele abraço tão, tão, tão... esplendido e pecaminoso que tinha ganho da mocinha que sorria desinibida e que as irmãs diziam que ela precisava se controlar.
Era eu, adulta (?) com 18 anos desembarcando na capital, com tanto medo dentro do peito que achava que iria explodir. Infartar, ou qualquer coisa assim. Capial, caipira, da roça, fala errado, puxa o r, pé veRRmelho e completamente inocente.
Era eu, adulta (?) com 18 anos, operando um caixa e recusando os "convites" insistentes de um cliente do mercado. "Tenho um apartamento aqui perto. Você pode morar lá se quiser. Te banco e te visito a hora que eu quiser. Você é muito linda. Tem um jeito inocente doce"...
Era eu, adulta e inocente, pulando desesperadamente por ter conseguido aquele tão desejado estágio, aquele que chegou 40 min atrasada na entrevista em uma grande empresa. Aquela que passou vergonha porque se assustou para entrar na porta automática. Derrubou água no chão no bebedouro chique. E se esforçou 10 mil vezes mais para falar na norma culta do português.
Era eu, adulta e inocente, perdida tentando me encontrar.
Era eu, adulta chocada ao ler "Marcha das Vadias".
Era eu, sem blusa, na rua. Com outras mulheres. Gritando, pulando, reivindicando, chorando... Descobrindo a luta.
Era eu, namorando uma mulher. "Como assim bissexual?", "Desde quando você sabia?", "Eu já sabia!".
Era eu, careca. "Ficou linda", "Não gostei".
Ainda sou eu, careca, olhando pro passado e pensando como mudei. E não querendo mais mudar. Mas sei que vou...
Era eu, pequenininha só de calcinha na xácara da tia. Tímida e acoada, por estar só de calcinha em um dia de festa de aniversário na xácara. Não sabia. "Como assim ela está só de calcinha?"
Era eu, criança (diziam pré adolescente) e temente a Deus com medo de confessar meus pecados aquele homem conhecido, mas estranho, o padre. Que pecados uma criança cometia?
Era eu, adolescente e temente a Deus suspirando pelos corredores do convento, por aquele abraço tão, tão, tão... esplendido e pecaminoso que tinha ganho da mocinha que sorria desinibida e que as irmãs diziam que ela precisava se controlar.
Era eu, adulta (?) com 18 anos desembarcando na capital, com tanto medo dentro do peito que achava que iria explodir. Infartar, ou qualquer coisa assim. Capial, caipira, da roça, fala errado, puxa o r, pé veRRmelho e completamente inocente.
Era eu, adulta (?) com 18 anos, operando um caixa e recusando os "convites" insistentes de um cliente do mercado. "Tenho um apartamento aqui perto. Você pode morar lá se quiser. Te banco e te visito a hora que eu quiser. Você é muito linda. Tem um jeito inocente doce"...
Era eu, adulta e inocente, pulando desesperadamente por ter conseguido aquele tão desejado estágio, aquele que chegou 40 min atrasada na entrevista em uma grande empresa. Aquela que passou vergonha porque se assustou para entrar na porta automática. Derrubou água no chão no bebedouro chique. E se esforçou 10 mil vezes mais para falar na norma culta do português.
Era eu, adulta e inocente, perdida tentando me encontrar.
Era eu, adulta chocada ao ler "Marcha das Vadias".
Era eu, sem blusa, na rua. Com outras mulheres. Gritando, pulando, reivindicando, chorando... Descobrindo a luta.
Era eu, namorando uma mulher. "Como assim bissexual?", "Desde quando você sabia?", "Eu já sabia!".
Era eu, careca. "Ficou linda", "Não gostei".
Ainda sou eu, careca, olhando pro passado e pensando como mudei. E não querendo mais mudar. Mas sei que vou...
Comentários
Postar um comentário