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29/04/2015

O dia 29/04 foi um dia que realmente nunca vou esquecer e sem duvida todos e todas que estavam lá também não. 

Um dos momento que me dói muito lembrar, foi quando a tropa de choque sai de sena, a PM cerca novamente a ALEP com grades e com 2 ou 3 filas de Policiais. Todos preparados para um novo confronto. 

A primeira fileira com escudo, aquele escudo transparente escrito "POLÍCIA", os PMs com capacetes, uma fila de PMs atras como se estivessem segurando os da frente.

A população vem até a grade, a votação já tinha sido aprovada e a população encarava a PM.

Era um sentimento de nojo, injustiça, indignação sem fim.

Professores e Professaras nas grades chorando, olhando para a PM e dizendo muitas coisas, como "Vocês contribuíram para acabarem com a nossa democracia", "Seus filhos vão ficar sem aula, seus filhos também serão atingidos", "Vocês nos agrediram", "Covardes", "Bando de pau mandados", "PM violenta", "Sou professora do Estado a 30 anos, 30 anos e vocês me agrediram", "Covardes"...

A PM olhava, apenas olhava e mantinha a posição.

O Choque, o que mais agrediu aquele dia, não ouviu as dores, as lamentações, os choros daqueles que voltaram até a grade para olhar para o enterro da democracia.

Era realmente um sentimento de velório no ar.

Era realmente um sentimento de impotência.
De um lado o Governo do Estado do Paraná, com um aparato policial gigantesco pronto a matar aqueles que não concordassem com eles e do outro a sociedade impotente.

Dói lembrar de tudo que vivi e vi.
Dói saber que a maquina publica nesse país e usada sempre para privilegiar e proteger aqueles que estão dentro, administrando ela.
Dói saber que uma parcela da população não entende e não entende porque quem esta dentro da maquina faz questão de não explicar como ela funciona pra quem esta do lado de fora.

Dói.

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