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Mostrando postagens de novembro, 2014

Sobre sexo entre mulheres cis

Estes dias em uma daquelas conversa sobre sexo, me perguntaram qual era o lugar mais inusitado que já tinham transado. Respondi que tinha sido com uma mulher em um banheiro ‘masculino’, no salão de festa de um condomínio. Como esperado, surge aquela cara, que provavelmente todas as mulheres cis que transam com outras mulheres conhecem muito bem, com um ponto de interrogação bem grande a pessoa te olha pensando “Como mulheres transam?” e te pergunta meio sem jeito “Mas como vocês transaram.... (uma pausa) de pé?” Bom, preciso dizer que, esta pergunta trás uma grande carga preconceituosa e machista. A ideia de que sexo só é possível se tiver pênis/pau, reforçada dia após dia em nossa educação, faz com que só consideremos possível sentir prazer sexual quando no ato sexual tem pelo menos um pau e isso faz com que ignoremos por completo o prazer sexual ligado a buceta. E nessa lógica é quase impossível imaginar/aceitar que duas bucetas juntas “transam”, “gozam”, “é sexo de...

Garçom,

Garçom, desce mais uma dose por favor Mas não conte aos homens do bar Que bêbada, já estou. Quero ter o direito de encher a cara sem correr risco. Tem como seu garçon? Beber até cair. Cair e dormir. Hoje to sem amiga, Pra deitar no asfalto Como a Leticia. E gargalhar da vida. Só quero encher a cara mesmo Sem motivo Além da vontade de beber.

Sabe, FODA-SE

Aquele momento que você percebe o quão nojento é a adoração masculina pelo controle do corpo e vida das mulheres. Um pai para os amigos: Pai: _ Você pergunta pra minha filha de 5 anos se ela tem namorado e ela responde toda orgulhosa "Não, sou do papai". Meu orgulho. Me bete uma revolta de lembrar da minha infância, lembrar de como os homens da minha família me tratavam/tratam e como todas as mulheres da minha família tratam umas as outras. Por sorte a revolta bate! Perceber que nossa liberdade é tirada desde pequenas e que além de tirada, nos é ensinado/empurrada com beijos e abraços de "cuidado" disfarçados de amor que não precisamos de liberdade, porque "somos de alguém" é necessário para gritarmos: Parou, não somos de ninguém, somos nossas e só nossas! Perceber que não pertencemos a ninguém, que não precisamos pertencer a alguém enquanto mulher, é além de reconhecer que "no meu corpo mando eu", também perceber que somos capazes de r...

O ônibus rosa (oh agonia de rosa) voltam ao debate na cena Curitibana.

A sociedade é mesmo uma linda né. Mulheres reclamam dos assédios em ônibus. Homens vão e fazem propostas para ônibus exclusivo para mulheres. "Ande nesse se você não quer ser encoxada". E ainda querem que agradeçamos por esta ideia brilhante. "Há, muitas mulheres acharam boa a ideia" - claro, porque imaginar que pelo menos por alguns minutos ou horas estarão longe da possibilidade de um assédio é realmente uma posição super normal e compreensível de se ter. A questão é que o que tem que ser compreendido por estes homens que apoiam este projeto é que mulheres são assediadas em TODOS OS ESPAÇOS DO MUNDO. Basta um cara achar que pode fazer isto. Outra questão completamente foda nesta ideia do projeto do ônibus rosa, é, ele serve pra quais mulheres? Mulheres trans* vão ficar de fora? Bom, com a transfobia descarada de Curitiba, com toda certeza que sim. O machismo e sua constante ideia de pensar que as mulheres precisam se proteger, não que homens precisam ser ...

Sobre Empoderamento

Sobre Empoderamento Ontem percebi o quanto ser hoje, uma mulher empoderada faz diferença na minha vida e o quanto a Marcha das Vadias contribuiu para isto. Teve uma palestra na minha faculdade sobre nosso Sistemas Político, dentre os convidados um Deputado Estadual em exercício. Este, em meio a sua fala sobre o quão podre pode ser a política no país e seu desânimo/descontentamento sobre como políticos são vistos, fez uma comparação muito preconceituosa, machista e diga-se de passagem tosca. Disse ele algo como "Já começa o nome "Deputado", olha o que tem no meio da palavra. Boa coisa não podia ser". E repetiu a tentativa de "piada", acredito que por não ter ouvi risos no auditório lotado. Fiquei putissima na hora. Tremia de raiva e só pensava "Quero falar, tenho que falar!". Comecei a pensar em um monte de coisas que podia falar para fazer ele entender o quão problemático era aquilo. Pensei em de fato fazer um PUTA discurso em defesa das ...