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[...]PARTE 1

 [...] _ Ela foi covarde. _ Ela não queria ser mãe e escolheu alguém que queria, para ser a mãe da criança dela. Isso não é ser covarde. É ser racional.  _ Você não a odeia? Não odeia isso tudo, ou ao menos parte disso? _ Não tenho motivos para ódio. Mas se quer saber de sentimento. Do que sinto falta. Digo, sinto falta de saber se ela me amou porque gostou de mim, ou se amou a ideia de eu ser uma boa mãe.  _ E qual a diferença? _ Ser uma mulher. Ser vista primeiro como mulher, não enquanto uma mãe. É essa a diferença. Saber como ela me viu pode me ajudar a elaborar melhor o que sinto por ela. _ E o que você sente por ela? _ Eu não sei, por isso sinto falta. E não saber as vezes é pior. [...]

não se desfaz

 Não se desfaz o amor que se sentiu quando se percebeu amando  O que se desfaz é a expectativa das ideias futuras de uma vida feliz quando o outro já se mostra outro para além  daquilo que amou. 

Ser revolucionária

Ser revolucionária é se desencontrar com você, com sua família, com seus amigos, com outres.  É também se rencontrar com você, com sua família, com seus amigues e com os outres.  Ser revolucionária é estar presente em cada encontro e desencontro. Sou feliz pelos encontros revolucionários até aqui. 

Começando 30 abraçando meus traumas e a mim mesma.

É trinta, faço hoje e talvez por esse fato de me tornar uma mulher de trinta que me sinto mais confortável pra escrever sobre minha vida olhando pra ela sem julgamento, apenas olhando pra ela e me compreendendo cada vez mais. A adulta de trinta hoje, consegue falar das mulheres jovens, adolescentes e meninas que já foi nas vidas passadas com a pureza de cada idade que já tive. Da pra viver um dia de hoje como se fosse uma vida inteira e chamar o dia de ontem de vida passada. E começando a falar das minhas vidas passadas, voltado a infância, gostava mesmo de me esfregar com um primo quando era criança. Começou quando tinha cerca de 5 anos, pelo menos é o que minha memória me remete. Me lembro de estar junto com um meio-primo no meio de uma roda de meninos (irmãos e primos, se não me engano estávamos em seis) com os shorts abaixado. Enquanto alguns me tocavam outros diziam o que ele e eu deveríamos fazer. "Pega aqui", "passa ali", "esfrega aqui". Praz...

Liberdade

Me apaixonei! Três vezes por ela essa noite. A primeira vez que a vi A segunda ao ouvi-la E a terceira ao vê-la partir. Assim, partir. Ir. Ir também pode ser, sempre, voltar. E voltar, pode ser sempre, partir de novo.

Pós-cirúrgico

Sentada numa cadeira branca de um quarto do hospital do câncer, toda torta. Que ao observar não se sabe quem esta mais torta, a cadeira ou ela. Encostada na parede logo abaixo da janela metálica, vidros e grades se atenta aos sons do quarto e um pouco dos de fora. Uma melodia dessas desafinadas ou afinadas da vida. No corredor, vozes, passos,  plásticos, vassouras no chão,  rodas dos carrinhos de auxílio, coisas pequenas caindo, portas abrindo e fechando, risos... Chove lá fora, uma chuva que cai meio forte, meio fraca. Na janela ouve se um pingo descompassado no metal, tum, tum, chuva, tum. Nas camas tocam roncos. Sim, são três,  cada um no seu ritmo e tom. Parecem tentar acompanhar um ao outro, ou se complementarem na melodia do sono profundo pós-cirúrgicos. Um sono de alívio nessa jornada contra os cânceres. As outras duas acompanhantes, dormem como podem, nas cadeiras de plástico branco torto, sem roncos. Só o som do se ajeitar sem fazer tanto barulho, pra não int...